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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A irrelevância de tantos sermões – Por que a pregação expositiva é importante

por Albert Mohler Jr.

Albert Mohler
Albert Mohler
Se a pregação é central na adoração cristã, de que tipo de pregação estamos falando? A pura irrelevância de muito da pregação contemporânea é um sintoma severo de nosso Cristianismo superficial. Quando o ministério do púlpito não tem conteúdo, a igreja fica desprovida a palavra de Deus, e sua saúde fidelidade são imediatamente diminuídas.
Muitos evangélicos são seduzidos pelos proponentes de pregações tópicas ou narrativas. A força declarativa da Escritura é suavizada pela demanda por histórias e a forma textual da Bíblia é suplantada por considerações tópicas. Em muitos púlpitos, a Bíblia, se sequer for citada, se transforma em uma mera fonte de curtos aforismos ou narrativas convenientes.
As preocupações terapêuticas da cultura muitas vezes definem a agenda da pregação evangelical. As questões do “eu” predominam, e a congregação espera ouvir respostas simples para problemas complexos. Além disso, o pós-modernismo clama para si a primazia intelectual na cultura, e mesmo que não se renda completamente ao relativismo doutrinário, o congregante comum espera tomar suas decisões finais sobre as questões importantes da vida, desde a cosmovisão ao estilo de vida.
A pregação cristã autêntica possuí um senso de autoridade e uma demanda por decisões que não são encontrados em qualquer outro lugar na sociedade. A verdade sólida do Cristianismo contrasta fortemente com as pretensões instáveis da pós-modernidade. Infelizmente, o apetite pela pregação séria virtualmente desapareceu entre muitos cristãos que estão satisfeitos em terem sua fascinação por si mesmos encorajada pelo púlpito.
Um dos primeiros passos na recuperação da pregação cristã autêntica é definir exatamente o que queremos dizer quando discutimos pregação autêntica como “exposição”. Muitos pregadores afirmam ser expositores. Mas em muitos casos, isso significa meramente que o pregador tem um texto bíblico em mente, não importa o quão tênue seja a relação desse texto com o sermão.
Eu ofereço a seguinte definição de pregação expositiva como uma base para reflexão:
Pregação expositiva é o modo da pregação cristã que toma como seu propósito central a apresentação e aplicação do texto da Bíblia. Todas as outras questões e preocupações são subordinadas à tarefa central de apresentar o texto bíblico. Como a palavra de Deus, o texto da Escritura tem o direito de estabelecer tanto o conteúdo quanto a estrutura do sermão. Exposição genuína acontece quando o pregador avança no significado e na mensagem do texto bíblico e deixa claro como a palavra de Deus estabelece a identidade e a cosmovisão da igreja como o povo de Deus.
A pregação expositiva começa com a determinação do pregador de apresentar e explicar o texto da Bíblia para sua congregação. Esse simples ponto de partida é uma grande questão divisora na homilética contemporânea, pois muitos pregadores partem do pressuposto que precisam começar com um problema questão humana e então caminhar rumo ao texto. De forma contrária, a pregação expositiva começa no texto e trabalha a partir do texto para aplicar sua verdade às vidas dos crentes. Se essa determinação e compromisso não estiverem claras desde o início, algo diferente de pregação expositiva vai acontecer.
O pregador sempre vem ao texto e à pregação com muitas preocupações e prioridades em mente, muitas das quais são inegavelmente legítimas e importantes em si mesmas. Entretanto, se é para haver genuína exposição da palavra de Deus, essas outras preocupações devem estar subordinadas à tarefa central e irredutível de explicar e apresentar o texto bíblico.
A pregação expositiva está inescapavelmente ligada à séria tarefa da exegese. Se o pregador vai explicar o texto, ele precisa, primeiro, estudar o texto. Ele deve dedicar as hora de estudo e preparação necessárias para entender o texto. Durante esse tempo, o pastor deve investir a maior porção de sua energia e intelecto nessa tarefa de “manejar bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2.15). Não há atalhos para a exposição fiel. O expositor não é um explorador que retorna para contar as aventuras da jornada. Ele é um guia que lidera o povo ao texto e ensina a arte do estudo e da interpretação bíblica, demonstrando essas disciplinas essenciais em sua pregação.
O pregador expositivo, além disso, se submete tanto ao conteúdo quando à forma do texto bíblico como a palavra inerrante e infalível de Deus, divinamente planejada e dirigida. Deus falou por meio dos autores inspirados da Escritura, e cada gênero da literatura bíblica demanda que o pregador dê cuidadosa atenção ao texto, permitindo que o próprio dê forma à mensagem. Muitos pregadores vêm ao texto com uma forma de sermão em mente e um conjunto limitado de ferramentas para trabalhar. Certamente, a forma do sermão pode ser diferente de pregador para pregador e de texto para texto. Mas a exposição fiel demanda que o texto estabeleça tanto a forma quanto o conteúdo do sermão.
O pregador sobe ao púlpito para realizar um propósito central: anunciar a mensagem e o significado do texto bíblico. Isso requer investigação histórica, discernimento literário e a aplicação fiel da analogia fidei para interpretar a Escritura pela Escritura. Isso também requer que o expositor rejeite o conceito moderno de que o texto não significa necessariamente o que o texto significava. Se a Bíblia é verdadeiramente a palavra eterna e permanente de Deus, ela significa o que significava e é aplicada de forma renovada a cada geração.
Uma vez que o significa do texto é anunciado, o pregador parte para a aplicação. Aplicação da verdade bíblica é uma tarefa necessária da pregação expositiva. Mas a aplicação deve seguir a tarefa diligente e disciplinada da explicação do próprio texto. T. H. L. Parker descreve a pregação assim: “Pregação expositiva consiste na explicação e aplicação de uma passagem da Escritura. Sem explicação, não é expositiva; sem aplicação, não é pregação”.
A aplicação é absolutamente necessária, mas é cercada de perigos. O principal deles talvez seja a tentação de crer que o pregador pode, ou deve, manipular o coração humano. O pregador é responsável por proclamar a palavra eterna da Escritura. Apenas o Espírito Santo pode aplicar essa palavra aos corações humanos ou mesmo abrir os olhos e ouvidos para entender e receber o significado do texto.
Cada sermão apresenta ao ouvinte uma decisão a ser tomada. Ou iremos obedecer, ou iremos desobedecer, a palavra de Deus. A autoridade soberana de Deus opera por meio da pregação de sua palavra para demandar obediência de seu povo e fazê-los regozijar nela. Pregação é a instrumentalidade essencial pela qual Deus molda seu povo, conforme o Espírito Santo acompanha a palavra. Como os reformadores nos lembram, é por meio da pregação que Cristo está presente entre seu povo.
Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo.com | Original aqui
Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

3 características da pregação expositiva

por Albert Mohler Jr.

Albert Mohler
Albert Mohler
A pregação expositiva autêntica é marcada por três características distintas:autoridadereverência e centralidade. A pregação expositiva é autoritativa porque se firma sobre a própria autoridade da Bíblia como a palavra de Deus. Tal pregação requer e reforça um senso de expectativa reverente por parte do povo de Deus. Por fim, a pregação expositiva demanda uma posição central na adoração cristã e é respeitada como o evento pelo qual a palavra viva de Deus fala com Seu povo.
Uma análise cuidadosa de nossa era contemporânea foi feita pelo sociólogo Richard Sennet, da Universidade de New York. Sennet nota que, em tempos passados, uma grande ansiedade da maioria das pessoas era a perda da autoridade governamental. Hoje a mesa virou, e as pessoas modernas ficam ansiosas por conta de qualquer autoridade sobre elas: “Agora tememos a influência da autoridade como uma ameaça a nossas liberdades, na família e na sociedade em geral”. Se as gerações anteriores temiam a ausência de autoridade, hoje vemos “um medo da autoridade, quando ela existe”.
Alguns especialistas em homilética sugerem que os pregadores deveriam simplesmente abraçar essa nova cosmovisão e desistir de afirmar terem uma mensagem autoritativa. Aqueles que perderam a confiança na autoridade da Bíblia como a palavra de Deus tem pouco a dizer e nenhuma autoridade em sua mensagem. Fred Craddock, uma das figuras mais influentes no pensamento homilético recente, descreve de forma pontual o pregador atual como “alguém sem autoridade”. O retrato que ele pinta dos predicados do pregador é assustador: “O velhos pregos e parafusos enferrujam no casco enquanto o ministro tenta guiar seu povo pelas águas pantanosas das relatividades e possibilidades”. “Não é mais possível ao pregador pressupor o reconhecimento geral de sua autoridade como clérigo, ou a autoridade de sua instituição, ou a autoridade da Escritura”, Craddock argumenta. Resumindo a situação do pregador pós-moderno, ele relata que o pregador “se questiona seriamente se deveria continuar provendo monólogos em um mundo dialógico”.
A questão óbvia a se fazer à análise de Craddock é essa: se não temos qualquer mensagem autoritativa, por que pregar? Sem autoridade, o pregador e a congregação estão envolvidos em uma perda de tempo massiva. A própria ideia de que a pregação pode ser transformada em um diálogo entre o púlpito e os bancos indica a confusão de nossa era.
Em contraste com isso está o tom de autoridade encontrado em qualquer pregação expositiva. Como Martyn Lloyd-Jones nota:
Qualquer estudo da história da igreja, e particularmente qualquer estudo dos grandes períodos de reavivamento, demonstra acima de tudo esse único fato: que a igreja cristã durante todos esses períodos falou com autoridade. A grande característica de todos os reavivamento tem sido a autoridade do pregador. Parecia haver algo novo, extra e irresistível naquilo que ele declarava em nome de Deus.
O pregador se atreve a falar em nome de Deus. Ele sobe ao púlpito como um mordomo “dos mistérios de Deus” (1 Coríntios 4.1) e declara a verdade da palavra de Deus, proclama o poder dessa palavra, e aplica a palavra à vida. Esse é certamente um ato audacioso. Ninguém deveria sequer contemplar tal empreitada sem ter confiança absoluta em um chamado divino para pregar e na autoridade imaculada das Escrituras.
Em última análise, a autoridade suprema da pregação é a autoridade da Bíblia como palavra de Deus. Sem essa autoridade, o pregador está nu e calado perante a congregação e o mundo que o assiste. Se a Bíblia não é a palavra de Deus,  pregador está envolto em um ato de auto-ilusão ou pretensão profissional.
Permanecendo na autoridade da Escritura, o pregador declara uma verdade recebida, não uma mensagem inventada. O ofício do ensino não é um papel de aconselhamento baseado em experiência religiosa, mas uma função profética na qual Deus fala com seu povo.
A pregação expositiva também é marcada pela reverência. A congregação reunida perante Esdras e os outros pregadores demonstravam amor e reverência pela palavra de Deus (Neemias 8). Quando o livro era lido, o povo se levantava. Esse ato de se levantar revela o coração do povo e seu senso de expectativa conforme a palavra era lida e pregada.
A pregação expositiva requer uma atitude de reverência por parte da congregação. Pregação não é um diálogo, mas envolve pelo menos duas partes – o pregador e a congregação. O papel da congregação na pregação é de ouvir, receber e obedecer a palavra de Deus. Ao fazê-lo, a igreja demonstra reverência pela pregação e ensino da Bíblia e entende que o sermão traz a palavra de Cristo para perto da congregação. Isso é verdadeira adoração.
Por falta de reverência pela palavra de Deus, muitas congregações se veem em uma busca frenética por significado em sua adoração. Cristãos saem do culto perguntando uns aos outros: “você entendeu alguma coisa daquilo?”. Igrejas realizam pesquisas para medir as expectativas: vocês gostariam de mais música? De que tipo? E teatro? Nosso pregador é criativo o suficiente?
A pregação expositiva requer um conjunto de questões bem diferente. Eu vou obedecer a palavra de Deus? Como eu preciso moldar meu pensamento à Escritura? Como eu devo mudar meu comportamento para ser plenamente obediente à palavra? Essas questões revelam submissão à autoridade de Deus e reverência pela Bíblia como sua palavra.
De forma semelhante, o pregador deve demonstrar sua própria reverência pela palavra de Deus ao lidar de forma fiel e responsável com o texto. Ele não deve ser irreverente ou casual, muito menos desrespeitoso ou arrogante. Disso estamos certos, nenhuma congregação reverencia mais a Bíblia do que seu pregador.
Se a pregação expositiva é autoritativa, e se demanda reverência, ela também deve estar no centro da adoração cristã. Um culto propriamente direcionado para a honra e glória de Deus encontrará seu centro na leitura e pregação da palavra de Deus. A pregação expositiva não pode receber um papel secundário no ato da adoração – ela deve ser central.
Durante a Reforma, o propósito que movia Lutero era o de restaurar a pregação ao lugar apropriado na adoração cristã. Se referindo ao incidente entre Maria e Marta em Lucas 10, Lutero lembrou sua congregação e os estudantes sob ele que Jesus Cristo declarou que “mesmo uma só coisa” é necessária, a pregação da palavra (Lucas 10.42). Assim, a preocupação central de Lutero era de reformar a adoração nas igrejas ao reestabelecer nelas a centralidade da leitura e pregação da palavra.
A mesma reforma é necessária no evangelicalismo atual. A pregação expositiva deve mais uma vez ser central na vida da igreja e central na adoração cristã. No fim, a igreja não será julgada pelo Senhor pela qualidade de sua música, mas pela fidelidade de sua pregação.
Quando os evangélicos de hoje falam casualmente da distinção entre adoração e pregação (dizendo que a igreja vai desfrutar de uma oferta de música antes de acrescentar um pouquinho de pregação), estão acusando o golpe de sua falta de entendimento tanto de adoração quanto do ato da pregação. Adoração não é algo que fazemos antes de nos sentarmos para ouvir a palavra de Deu; é o ato pelo qual o povo de Deus dirige toda sua atenção para o único vivo e verdadeiro Deus que fala com eles e recebe seu louvor. Deus é louvado da forma mais bela quando seu povo ouve sua palavra, ama sua palavra e obedece sua palavra.
Assim como na Reforma, o corretivo mais importante para nossa deturpação da adoração (e defesa contra as demandas consumistas correntes) é o retorno correto da pregação expositiva e da leitura pública da palavra de Deus à primazia e centralidade na adoração. Apenas assim a “joia perdida” será verdadeiramente redescoberta.
Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo.com | Original aqui
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